Monday, January 15, 2007

SEM ASSUNTO

NA FEIRA LIVRE

Nesse domingo, na feira livre que pega um quarteirão da Lorena, logo depois do cruzamento com a Augusta, me surpreendi com uma proposta de um feirante enquanto hesitava em levar mais frutas: "leva e paga na semana que vem. Se não tiver tudo, também pode me pagar na outra semana." Não não sei o nome dele, nunca o vi na vida e garanto que não foi paquera. E nesse mundo no qual por 5 centavos em um grande hipermercado você deixa o produto, a proposta dele me fez pensar com menos tragicidade nas decisões da vida. Foi a primeira vez que fui a uma feira nos Jardins. Os preços, claro, eram bem mais altos do que os praticados na feira do centro que costumava ir, perto da Praça Roosevelt. Mas caminhar naquela manhã ensolarada, feito formiga pelas barracas, me deu um sentimento de frescor. Vi o consertador de panelas, e me lembrei da infância. Uma barraca com todas aquelas coisas que a gente nunca lembra de comprar: borracha para a panela de pressão, pregos, tampas avulsas e inúmeras coisinhas que a minha vovó curtiria. Foi um belo exercício: de negociação, de austeridade. Se uma dúzia de laranjas é muita coisa para alguém que vive só, compra-se metade, da meia dúzia. Ok. E ainda ganha o chorinho de experimentar a tampinha. Deu pra trocar receitas, dicas de tempero, e ouvir vai com Deus. Sei lá, coisas boas, coisas simples da vida.

Saturday, January 13, 2007

SEM PRETENSÃO

UM TETO TODO SEU
A mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu se pretende mesmo escrever ficcção. A autoria da frase, ah!, não é minha, aliás, quem dera fosse. Quem dera ela ecoasse dentro de mim aos berros, bem maior que minha habitual letargia. Ela é de Virginia Wolf, proferida no ano de 1928, em uma conferência a ela encomendada para falar sobre a mulher e a ficção. Pois é, Virginia, lá naqueles tempos, achava muito lamentável o fato de a geração anterior, mães e avós, não saber fazer dinheiro. Se tivessem tido essa aptidão, era a tese de Virginia, a geração dela poderia se dar ao luxo de trabalhar em um escritório entrando por volta das 10 horas e deixá-lo não após às 16. Assim teriam tempo de ir para casa a tempo de escrever poesia no final da tarde.