NA FEIRA LIVRE
Nesse domingo, na feira livre que pega um quarteirão da Lorena, logo depois do cruzamento com a Augusta, me surpreendi com uma proposta de um feirante enquanto hesitava em levar mais frutas: "leva e paga na semana que vem. Se não tiver tudo, também pode me pagar na outra semana." Não não sei o nome dele, nunca o vi na vida e garanto que não foi paquera. E nesse mundo no qual por 5 centavos em um grande hipermercado você deixa o produto, a proposta dele me fez pensar com menos tragicidade nas decisões da vida. Foi a primeira vez que fui a uma feira nos Jardins. Os preços, claro, eram bem mais altos do que os praticados na feira do centro que costumava ir, perto da Praça Roosevelt. Mas caminhar naquela manhã ensolarada, feito formiga pelas barracas, me deu um sentimento de frescor. Vi o consertador de panelas, e me lembrei da infância. Uma barraca com todas aquelas coisas que a gente nunca lembra de comprar: borracha para a panela de pressão, pregos, tampas avulsas e inúmeras coisinhas que a minha vovó curtiria. Foi um belo exercício: de negociação, de austeridade. Se uma dúzia de laranjas é muita coisa para alguém que vive só, compra-se metade, da meia dúzia. Ok. E ainda ganha o chorinho de experimentar a tampinha. Deu pra trocar receitas, dicas de tempero, e ouvir vai com Deus. Sei lá, coisas boas, coisas simples da vida.